sexta-feira, abril 18, 2014

Mia Couto homenageia García Márquez







O biólogo e escritor moçambicano Mia Couto, vencedor do Prêmio Camões em 2013, fez hoje (18) uma breve homenagem ao escritor colombiano Gabriel García Márquez durante debate na 2ª Bienal Brasil do Livro e da Leitura. Couto disse que a vida de Márquez perpetua na obra deixada. "Ele terá que morrer várias vezes, porque a vida dele está na obra", disse.
Gabriel García Márquez morreu na tarde de ontem (17), em casa, na Cidade do México, aos 87 anos. Ele nasceu em Aracataca, na Colômbia, no dia 7 de março de 1927. Além de escritor, era também jornalista. Entre seus livros mais conhecidos, estão Cem Anos de Solidão e O Amor nos Tempos do Cólera. Foi também ganhador do Prêmio Nobel de Literatura de 1982. O escritor recebeu várias homenagens na bienal
Couto participou do debate Tradição e Atualidade da Literatura de Língua Portuguesa. O escritor citou o Brasil como referência. "Tive uma grande ligação com a literatura brasileira". Antes da literatura, ele disse que o contato com o Brasil foi pela música. O sotaque brasileiro foi o primeiro da língua portuguesa com o qual teve contato.
"Morava em uma cidade de praia quando pequeno e, da nossa varanda, eu escutava Dorival Caymmi. Esse sotaque me fazia pensar no mar, pensava que ali estava escrito não só uma variante da nossa língua, mas uma musicalidade que só a voz podia ter". Ele citou como escritores que fizeram parte da formação Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade e João Guimarães Rosa.
Apesar de ter tido contato com a literatura brasileira desde cedo, em entrevista ao Portal EBC ele disse acreditar que o intercâmbio de obras de língua portuguesa ainda não é motivo para comemorações. “Esse intercâmbio ainda é pior do que quando havia ditadura no Brasil, em Moçambique ou em Portugal. É estranho que em um período de ditadura houvesse uma maior circulação de livros do que agora”.
A Bienal do Livro ocorre em Brasília, até segunda-feira (21). A entrada é gratuita. A programação está disponível na página do evento http://www.bienalbrasildolivro.com.br . 

Gabriel García Marquez lê 'Cem Anos de Solidão'



Télam México, 17/04/2014 El escritor colombiano y Premio Nobel de Literatura, Gabriel García Márquez, falleció hoy a los 87 a os en su residencia en la ciudad de México. Foto archivo: AFP/Yuri Cortez/Télam/dsl




"Úrsula teve de fazer um grande esforço para cumprir a promessa de morrer quando estiasse", é a primeira frase do capítulo 17 de Cem Anos de Solidão, a obra mais famosa de Gabriel García Márquez.

Neste áudio, o Prêmio Nobel de Literatura colombiano, que faleceu na noite de quinta-feira, lê passagens da obra.

Aqui, encontramos a família Buendía - Úrsula, Aureliano Segundo e José Arcadio Segundo - após a chuva que caiu em Macondo "durante quatro anos, onze meses e dois dias".


Cortesia: Universidade Nacional Autônoma do México e sua série "Voz Viva da América Latina".

Da Folha


Parkinson e Domingos de Oliveira




O cineasta, com Parkinson há 14 anos, nos recebeu em seu apartamento, no Rio (Daniel Marenco/ Folhapress)



Daqui

Parkinson de diversões


Assim que se abre a porta do elevador o visitante é recepcionado ainda no hall de entrada por um cartaz de cinema com Leila Diniz  e Paulo José, “Edu Coração de Ouro” – o segundo longa de Domingos de Oliveira, depois de “Todas as mulheres do mundo”.  Entrando em seu apartamento no quarteirão da praia no Rio de Janeiro vemos o cinema e o teatro estampado em fotos, cartazes e prêmios.
No escritório com vista enviesada para o mar do Leblon, sentado em sua poltrona estava Domingos de Oliveira.
Com um Parkinson que ralenta seus movimentos físicos mas não segura a rebeldia da cabeça veloz,  Domingos contou que tem um filme pronto para ser lançado com Fernanda Montenegro no elenco (segundo ele seu melhor filme), outro previsto para ser rodado ainda este ano, uma autobiografia saindo depois da Copa, além de duas peças que está ensaiando, aos seu incansáveis 77 anos.  “Isso por que somente trabalho nas horas vagas. É que tenho muitas horas vagas.”
Falamos  de arte,  vida,  velhice, morte, amor – e o convívio com a doença. “Continuarei afirmando grandiloquentemente que a vida é bela.”


Como foi descobrir que tinha Parkinson? O que efetivamente mudou de lá pra cá? 

Meu amigo Paulo José chama de Parkinson de diversões, tenho há 14 anos. Sou considerado paciente exemplar, posto que não tenho tremores. De um ano para cá ralentei meu passo, fica parecendo até que sou um velho de 77 anos. Escondi muitos anos meu Parkinson com medo de perder mercado de trabalho. As pessoas têm horror a doenças. É mais um preconceito. Parkinson nunca me atrapalhou de trabalhar, como prova a minha produção recente. Quando me perguntam na rua: “Domingos o que você está fazendo?”, continuo respondendo: “você tem tempo para me ouvir?”. Enfim, Parkinson não mata, terei de morrer de outra coisa. E o que não mata dá caráter. Fiquei bem mais inteligente com o Parkinson, ou terá sido com a idade? A velhice é coisa para os outros. Tenho 32, 34 anos. Sempre tive essa idade e sempre terei, por dentro. Por fora é aquela decadência dos 77, talvez 78 quando você estiver lendo esta entrevista. Estou ficando um pouco cansado com o incômodo dos sintomas. Mas Parkinson não mata. Quando alguém vem se queixar digo num certo mau humor, é uma gripe forte!

Como uma doença degenerativa como Parkinson repercute na sua vida e na sua obra?

É muito frustrante você saber que nunca vai ficar bom.

Existe poesia na doença?

Existe mais na saúde. Mas o sofrimento traz, como já disse, uma certa sabedoria e maior compreensão das coisas. Somente perto da morte (combinei comigo mesmo morrer aos 111 anos) é que se pode perder o medo dela. Mas não queiram ter Parkinson, ninguém sabe explicar de onde veio, é uma doença imprevisível e constante como uma louca nua.

A arte envelhece?

A arte é aquilo que não envelhece. Que tenta dar um truque no tempo. A Gioconda é sempre a Gioconda, por isso ela sorri. A arte é uma rebeldia contra a mais forte lei do tempo: tudo muda, tudo passa, tudo acaba. A arte não. É perene. Tem a safadeza de querer sê-lo. A arte que envelhece é a arte ruim. A boa arte vem da essência do homem, de uma fonte muito estável, confiável.

E o artista, envelhece?

Também não. Seus assuntos, suas preocupações, seu estilo certamente mudam e eventualmente podem envelhecer. O artista tem uma coisa a dizer, apenas. Ele mesmo. Por isso o público desavisado, o espectador, o leitor, por vezes se cansa do artista. Allen, Chaplin, Welles, Fellini e até mesmo Oliveira  fizeram sempre o mesmo filme. E pessoas de pouca imaginação, em vez de se regozijarem em seguir seu pensamento, vão para as esquinas dizer que o artista se repetiu, que é um vaidoso. Um auto-idólatra, um paranóico ou um pedófilo. Mas isso é o problema das outras pessoas, daquelas que envelhecem.

Diante da morte ocorre o empalidecimento da arte?

Eu poderia responder: diante da morte ocorre o empalidecimento de tudo. E poderia responder: não absolutamente! O artista sente medo de morrer como todos sentem. O medo tem muitos disfarces, poderia dar um baile à fantasia. Mas é sempre um só, o medo da morte. Diante desta preocupação magna, o artista pode, por algum tempo, pensar menos na sua arte, esquecê-la por momentos. Mas não é nada que um copo d’água gelado não resolva. Estou com medo desta entrevista, por que estas perguntas me obrigam a assumir este papel de representante da arte.
Um homem não deve confessar que é um artista. O fato lhe confere de alguma forma superioridade, causando imediata inveja ou outra reação violenta do tipo. Um amigo meu tem QI altíssimo esconde isso, como quem esconde a chave do cofre. Ninguém pode saber. É um segredo entre os artistas, mas eles sabem quem são, reconhecem sua turma. A palavra “arte” devia ser abolida, está gasta. Nunca conseguiu desvencilhar-se da aristocracia. Corroída pelos que sem entendê-la, odeiam-na. Perdeu o vigor. Um “filme de arte” é um palavrão. Recomendo trocar por “filme útil”. Por que isso que a arte é, acima de tudo: útil.   Único bisturi que alcança a esperança de resgate do mundo. Atualmente, por falar nisso, há uma certa ideia constrangedora de que o cinema, por exemplo, deve dar ao seu espectador o que ele quer e não o que ele precisa. Certamente não é uma coisa que se diga alto, nem que se possa defender. Qualquer ser pensante sabe da importância social da arte e sua privilegiada contundência na formação e no caráter das pessoas. Todo problema social é na verdade cultural. No aprimoramento das pessoas reside a chance única de evitar o caos iminente. O mercado é o caos. O cinema pode ser um bom negócio, tomara que seja. Mas não pode ser apenas um negócio. Sem arte é a barbárie, embora a obviedade da ideia, muitos não entendem, não tem esse compromisso.

E o amor, envelhece?

Sou um romântico, muita gente sabe disso. Creio que há algo de eterno no amor. Não usei a palavra errada, foi isso que eu quis dizer: eterno, além do homem. Não sei provar esta afirmativa, mas amar a pessoa é vê-la como Deus a fez. E olhe, não acredito em Deus absolutamente, sou um ateu místico como tantos. Mas que existe, existe. Como no ditado espanhol, “no creo em las brujas pero que las hay, las hay”. Deus é a ideia mais fértil que o homem já concebeu. A existência do próprio é um detalhe. E o amor, principalmente a paixão, é o Himalaia de Deus. Me desculpe, hoje acordei frasista. É tudo frase feita, vou tomar precauções de agora em diante.

O casamento resiste ou persiste ao tempo?

Para responder essa questão incômoda devo recuar um passo. O homem, embora no fundo goste de provar o contrário, é um animal primitivo, mal feito. Burro. O que lhe ensinam menino fica gravado indelevelmente. Na maior parte das vezes te leva a fazer burrices. A famosa adaptabilidade do Homo Sapiens, que lhe deu o polegar opositor e a posse do mundo, concentra-se apenas em seu intelecto. O sentimento profundo é arcaico, rígido. Os preconceitos que temos em nós contra o casamento são tão falsos quanto arraigados. A repressão sexual da humanidade é imensa, até Freud sabia disso. Somos todos meninas do Sacré Couer de Marie. Sartre, meu mestre querido e irresponsável, afirmava que a liberdade do homem é total e infinita. Pode até ser que Jean Paul não estivesse de porre numa mesa do Café du Fleur. Com certeza não se referia a liberdade sexual. Essa repressão básica obriga certa decadência dos casamentos. Mas não sei bem. Confesso que tenho encantos por minha companheira de décadas como se eu tivesse a conhecido ontem. Juro. Claro que não é todo dia, nem todo dia é dia santo. Não sei nada sobre o assunto, as pessoas cismam que sei. Estudei o amor em aulas teóricas e práticas a vida inteira. Concluí que é como a química orgânica: não é para entender, é para decorar. Odeio a coerência, eu.

O que é a juventude? Uma memória ou uma nova geração?  Qual a distância entre você e alguém da nova geração? Como vê a juventude atual? Como acha que te vêem?

Um monte de perguntas numa só. A juventude é um poder fantástico, quase sem limites. Mas nenhum jovem sabe disso. Não sinto distância na nova geração, mas eles sim, de mim.
Se você quer falar de um assunto, pontificar a sua sabedoria, eles param a festa, sentam ao seu redor respeitosamente, as moças até ficam mais encantadoras. E eles te ouvem até o fim. Mas aí recomeça a festa, e os jovens te deixam muito claro que você não é mais da “turma”. Eu não sou mais um deles. É  assim que eles me tratam. A vida é assim. Não sou mais um deles! Devo inclusive evitar com todas as minhas forças minha atitude natural de dar a ultima opinião certeira sobre os assuntos… se não quiser perder amigos. Desperdiçar minha sabedoria, e ficar calado muitas vezes, em vez de revelar tesouros preciosos que seriam úteis a todos. Ridículo. Vou subir este astral. O que você quer, que eu elogie a velhice ou arme o circo da auto piedade? De um lado o leão feroz, do outro o tigre sangrento.  Não farei nenhuma dessas duas coisas. Continuarei afirmando grandiloquentemente que a vida é bela. E se eu não tivesse o mundo dentro de mim, ficaria cego quando abrisse os olhos.

Concluindo. Meu mais recente e inédito filme “Infância” com Fernanda Montenegro é meu melhor filme. Minha autobiografia “Vida minha” sai logo depois da Copa, se houver um depois da Copa. Pretendo rodar dois filmes ainda este ano. Uma peça adulta e outra infantil etc. Isso por que somente trabalho nas horas vagas. É que tenho muitas horas vagas.


sexta-feira, abril 11, 2014

Josué, o jardineiro










Josué, o jardineiro


Ouço uma voz distante me chamar. Levanto os olhos do teclado. O cão late e corre para a porta. Visto uma blusa que me cubra mais. 
Josué está à minha espera na varanda. Observa as plantas. Comentamos sobre o jardim. Baixa galhos da amoreira para que eu cate frutas.
- Qualquer dia, quando estiver cheio de amoras, venho aqui tirar para você.
- Como está seu filho?
- Ele está bem, quer parar o remédio. "Disse que tem força para parar.".
- É melhor ele tomar. Bom que o médico acertou. Deixe que tome.
- É mesmo, ele está normal. Às vezes o testo dizendo umas coisas que ele antes acreditava e ele discorda de mim, diz que estou errado.
- Então. É preferível tomar e ficar bem do que se descontrolar.
- É verdade, ele tinha uns descontroles. Uma vez queria que a família desse queixa da mulher dele sem motivo. No caso, ele que estava errado. Tinha saído de casa.
- Pois é, ainda bem que existem remédios hoje, antes era pior, não havia.
- Engraçado, como é que eles funcionam... Ele no começo se negava a tomar.
- Há pessoas que não aceitam e a família tem que colocar na comida.
- Pois foi o que aconteceu com ele no começo. Dizia que não precisava, minha mulher dava suco para ele com a medicação. Agora ele aceita tomar.
- Como é que o remédio acalma a pessoa?... 
- Eles pesquisam. Hoje já sabem o que é bom para o que. 
- E testam com quem?
- Não sei... ratos.
- Homens... Uma vez trabalhei num SPA. Você sabe o que é SPA? 
- Sei, também trabalhei em um.
- Eles testavam aqueles aparelhos de massagem para tirar barriga em mim.
- E adiantou? (Pergunto olhando seu abdômen- expressão séria).
- Lá tinha todo tipo de atendimento. A esteticista me colocava no aparelho. Não era bom. Dá uns choques fortes. Antes fiz exame do coração para ver se estava bem. Disseram que eu poderia doar meu sangue, porque era muito bom. Sem colesterol, sem nada.
- Que bom.
- Sabe o nome desta praga da grama? 
- Não.
- Tiririca. Hoje coloquei um óleo que acaba com ela num jardim ali em cima. Custa uma fortuna, mais de mil reais um litro. Ele mata a praga, mas não a grama. Sabe o que é mamona? (Ele gosta de me perguntar se conheço plantas).
- Sei.
- Meu pai tinha cavalos e o óleo de mamona é purgativo. Sabia que cavalos dormem em pé?
- Não sabia. É mesmo, nos filmes estão sempre em pé.
- Quando deitam estão com problemas de intestino. A gente corria chamar o pai e ele colocava na goela do bicho o remédio, logo depois... imagine o que saia. 
O sol se pôs e os mosquitos chegavam.
- Quando você puder, tire o mamoeiro macho do quintal.
- Amanhã eu venho, estarei aqui  no condomínio.
- Boa noite, Josué, até amanhã.


quarta-feira, abril 09, 2014

Nem tudo é mentira em "Psi"- Contardo Calligaris









Conheço Contardo Calligaris há dez anos. Sou, como ele diz, uma incansável correspondente. Ai vai uma ponta de ironia- acostumei com este lado dele. É sempre surpreendente. Respondeu estas questões a meu pedido.


1- Sabemos de sua paixão por cinema, da sua importância para sua formação, ao ler seu segundo romance “A mulher de branco e vermelho” visualizei cenas.
O desejo está sempre em outro lugar, costuma dizer, hoje escritor, sonha com filmes? O seriado seria um caminho para um longa-metragem?

Na verdade, foi o seriado que se meteu, enquanto eu estava pensando (um pouco mais do que isso) num longa que adaptaria "O Conto do Amor". Hoje, não sei mais. Tem uma rapidez da escrita e da realização televisivas que me seduz e me diverte. Além disso, como diz a propaganda, HBO não é televisão (ou seja, é quase cinema).


2- Os dois primeiros episódios trazem um personagem generoso sem sentimentalismo, como você gosta de se mostrar. A amiga Valentina vai mais longe na generosidade. Ela seria um alter ego de Antonini? Seu ideal do ego?

É uma sugestão interessante: ter uma mulher como ideal do ego (antes de confirmar, teria que pensar nas consequências para minha vida sexual…).


3- Você tem simpatia por pessoas que vivem fora dos padrões de normalidade, nestes episódios traz novamente- a conheci num artigo, depois em sua peça teatral- a moça que engole fogo, o que o fascina nesta personagem, você, Contardo, não o Carlo?

Na verdade, acho que tenho mais antipatia pela normalidade do que simpatia pelos que vivem fora dos padrões. O que me fascina na Isa é a liberdade da rua e a coragem de dançar na esquina. Há, nela, como havia na malabarista que conheci, uma beleza de felino selvagem. 


4- No seriado você apresenta situações inusitadas, que alguns estranharam. Vi como algo que poderia acontecer caso escolhêssemos caminhos diversos, menos preconceituosos, se aceitássemos as diferenças com naturalidade, sem receios. Sua intenção foi esta?

Não há nada ou quase nada no seriado que não seja um fragmento de realidade cotidiana (clínica ou não). Quase sempre, tivemos que reduzir a estranheza (não aumentá-la), porque o que é verdadeiro, às vezes, não parece verossímil (Aristóteles já notou isso). O inusitado é, como se diz, relativo: eu acho inusitada a maioria dos padrões da trivialidade…Também, você tem razão, para esbarrar numa realidade um pouco fora dos padrões, é preciso ter a coragem de viver de peito aberto. No fundo, a gente vive as experiências que a gente se permite (e que a gente merece) …


5- O coveiro gosta de música erudita, o homem do cemitério da Consolação- em quem ele foi baseado- tem cultura musical?

Não, o interesse pela música de Severino foi inventado, mas os concertos no cemitério acontecem realmente (assim como realmente há carpideiras profissionais). Dos dois coverios que inspiraram a personagem de Severino, um publicou dois ou três romances e o outro é quem organiza as visitas culturais ao cemitério. 


6- Você participou, direta ou indiretamente, da escolha dos atores?

Não houve nenhuma decisão de produção que não passasse por minha aprovação.


7- Conte algo curioso sobre este capítulo, please.


Oops, qual capítulo? O próximo, de domingo que vem, é o episódio 5. O que tem de curioso é que eu mesmo dei uma de Hitchcock e fiz uma figuração nesse episódio. E Alex Gabassi (o diretor de 4, 6, 7 e 8) também fez uma, na mesma circunstância…


Mais sobre o seriadoaqui.

domingo, abril 06, 2014

O arquiteto das artes cênicas-José Wilker




 






Ele foi, para mim, o melhor ator de sua geração.
O vi em "A china é azul", peça belíssima, com cenografia do 'mágico'  Luiz Carlos Ripper.
Assisti um ensaio geral do"O arquiteto e imperador da Assíria", chocante para a jovem estudante de psicologia, mas fascinante.
"Dona Flor e seus dois maridos" faz parte do imaginário da minha geração, "Bye, bye Brasil", idem, e tantos outros.
Sua voz fará falta nas narrações em off. Voz bela e impar.

quinta-feira, abril 03, 2014

terça-feira, abril 01, 2014

O vento nos leva- Vidas ao vento








Ontem vi um filme lindo. "Vidas ao vento", Fui meio a contragosto, não gosto muito de desenhos. Sim, é um desenho japonês. Encontrei este comentário sobre o filme, diz coisas que eu não sabia.
Vale a pena ver. Desenho belíssimo.

sexta-feira, março 28, 2014

Sobre "Psi"





"Psi", o novo seriado da HBO, traz histórias de Contardo Calligaris. Foi produzida por ele, que também participou do roteiro.

Carlo Antonini, o protagonista, como Calligaris, é psicólogo e psicanalista, no seriado também psiquiatra. É o personagem do livro "A mulher de vermelho e branco".  Ele contracena com uma amiga médica, psicanalista- é com ela que troca ideias. Ela seria um alter ego, ou o ego ideal- da psicanálise- aquilo que gostaria de ser. Ela é naturalmente generosa, enquanto ele é um generoso contido.

Não há semelhança com "Em tratamento" porque gira em torno do psicanalista e não dos clientes.

Vi os dois primeiros capítulos e gostei muito. Produção excelente, fotografia, roteiro, atores- tudo correto, não tenho senões. A história, no meu ponto de vista, foi ótima.

Há certa estranheza, você pensa: "Como?" Mas logo descobre que o que parece bizarro é um novo ponto de vista. Se não fôssemos preconceituosos, se aceitássemos as diferenças com naturalidade, o que vemos seria plausível.

Cada episódio coloca foco sobre algo diferente. Uma menina autista, uma jovem que se autoflagela. Há um alcoólatra que tem voz, uma mãe que carrega a filha para a rua, onde trabalha, um coveiro interessante.
Foi inspirado no coveiro do Cemitério da Consolação, que existe.

Vejam e comentem.