quinta-feira, setembro 18, 2014

Conto- O outro












Faz calor, as pernas dela doem inchadas, lamenta o dia todo:
"Ai minhas pernas... ai como doem". Fala com o cão, que a olha indiferente.
Teve lindas pernas, além de bonitas, lisas. Ele dizia: "Sente aqui do meu lado", ela colocava suas pernas sobre as dele, que as tocava- dedos suaves- alisando-as em direção à sua púbis. 
"São minhas estas pernas de seda, cor de âmbar", dizia. 
As mãos dele estão longe. Se tivesse morrido sofreria menos, mas não, está vivo, e as mãos alisam agora pernas torneadas e masculinas. Nunca pensou ser deixada por outro. Ainda o vê  sorrindo e se entristece. Às vezes se pergunta se é mais dolorido por ser um homem, ou seria maior a dor se fosse outra? Deve ser belo e forte. Ela é frágil, chora à toa. Não imagina o outro chorando no ombro dele.

As pernas incham porque mal caminha. Não só as pernas sofrem, sente falta de ar, não gosta de abrir as janelas. A casa cheira a mofo, respira com dificuldade. 
Não se importa.

quarta-feira, setembro 10, 2014












Daqui

"É como uma nuvem no céu. Quando a nuvem não está mais no céu, isso não significa que a nuvem morreu. A nuvem continua em outras formas, como a chuva, neve ou gelo. Assim, você pode reconhecer a sua nuvem em suas novas formas.
Se você gosta muito de uma bela nuvem e sua nuvem não está mais lá, você não deve ficar triste. Sua nuvem amada pode ter se transformado em  chuva convidando você: "Querida, querida. Não me vê em minha nova forma?" E então você não vai ficar impressionado com o sofrimento e desespero. Seu amado continuará sempre.  Meditação ajuda a reconhecer sua presença contínua em novas formas. E a nossa natureza é a natureza do nenhum nascimento e nenhuma morte ... a natureza de uma nuvem também. A nuvem nunca pode morrer. Uma nuvem pode se tornar neve ou granizo ... ou chuva. Mas é impossível que uma nuvem passe de ser para não-ser. E isso é verdade com o seu amado. Ela não morreu. Ela é prolongada em muitas novas formas. E você pode olhar profundamente e reconhecer-se em você e ao seu redor."

Thich Nhat Hanh

quinta-feira, setembro 04, 2014

quarta-feira, agosto 13, 2014

Arte contemporánea e farsa, por Avelina Lésper







A Arte Contemporânea é uma farsa: Avelina Lésper

Com a finalidade de dar a conhecer seus argumentos sobre os porquês da arte contemporânea ser uma “arte falsa“, a crítica de arte Avelina Lésper apresentou a conferência “El Arte Contemporáneo- El dogma incuestionable” na Escuela Nacional de Artes Plásticas (ENAP)sendo ovacionada pelos estudantes na ocasião.
 A arte falsa e o vazio criativo
A carência de rigor (nas obras) permitiu que o vazio de criação, o acaso e a falta de inteligência passassem a ser os valores desta arte falsa, entrando qualquer coisa para ser exposta nos museus 
A crítica explica que os objetos e valores estéticos que se apresentam como arte são aceites em completa submissão aos princípios deuma autoridadimpositora. Isto faz com que, a cada dia, formem-se sociedades menos inteligentes aproximando-nos da barbárie.
Ready Made
Lésper aborda também o tema do Ready Madeexpressando perante esta corrente “artística” uma regressão ao mais elementar e irracional do pensamento humano, um retorno ao pensamento mágico que nega a realidadeA arte foi reduzida a uma crença fantasiosae sua presença em umero significado. “Necesitamos de arte e não de crenças”.
Génio artístico
Da mesma maneiraa crítica afirma que a figura do “génio”, artista com obras insubstituíveisjá não tem possibilidade de manifestar-se na atualidade“Hoje em dia, com a superpopulação de artistas, estes deixam de ser prescindíveis qualquer obra substitui-se por outraqualqueruma vez que cada uma delas carece de singularidade“.
status de artista
A substituição constante de artistas dá-se pela fraca qualidade de seus trabalhos, “tudo aquilo que o artista realiza está predestinado a ser arte, excremento, objetos e fotografias pessoais, imitações, mensagens de internet, brinquedos, etc. Atualmente, fazer arte é umexercício ególatra; as performances, os vídeos, as instalações estão feitas de maneira tão óbvia que subjuga a simplicidade criativaalém de serem peças que, em sua grande maioria, apelam ao mínimo esforçcuja acessibilidade criativa revela tratar-se de uma realidade que poderia ter sido alcançada por qualquer um“.
Neste sentido, Lésper afirma queaconceder o status de artista a qualquer umtodo o mérito é-lhe dissolvido e ocorre uma banalização.“Cada vez que alguém sem qualquer mérito e sem trabalho realmente excepcional expõea arte deprecia-se em sua presença e concepçãoQuanto mais artistas existirem, piores são as obrasA quantidade não reflete a qualidade“.
 Que cada trabalho fale pelo artista
O artista do ready made  atinge a todas as dimensões, mas as atinge com pouco profissionalismo; sfaz vídeo, não alcança os padrões requeridos pelo cinema ou pela publicidade; sfaz obras eletrónicasmanda-as fazersem ser capaz de alcançar os padrões de um técnico mediano; senvolve-se com sons, não chega à experiência proporcionada por um DJ; assume que, por tratar-se de uma obra dearte contemporânea, não teporquê alcançar um mínimo rigor de qualidade em sua realização.
Os artistas fazem coisas extraordinárias e demonstram em cada trabalho sua condição de criadoresNem Damien Hirst, nem Gabriel Orozco, nem Teresa Margolles, nem já imensa e crescente lista de artistas o são de fato. E isto não o digo eu, dizem suas obras por eles“.
 Para os Estudantes
Como conselho aos estudantes, Avelina diz que deixem que suas obras falem por eles, não um curador, um sistema ou um dogma. “Suaobra dirá se são ou não artistas e, se produzem esta falsa arte, repito, não são artistas”.
O público ignorante
Lésper assegura que, nos dias que correm, a arte deixou de ser inclusiva, pelo que voltou-se contra seus próprios princípios dogmáticos e, caso não agrade ao espectador, acusa-o de “ignorante, estúpido e diz-lhe com grande arrogância que, se não agrada é por que não apercebe“.
O espectador, para evitar ser chamado ignorante, não pode dizer aquilo que pensauma vez que, para esta arte, todo público que não submete-se a ela é imbecil, ignorante e nunca estará a altura da peça exposta ou do artista por trás dela.Desta maneira, o espectador deixa de presenciar obras que demonstrem inteligência”.
Finalizando
Finalmente, Lésper sinaliza que a arte contemporáneé endogámica, elitista; com vocação segregacionista, é realizada para sua própriaestrutura burocrática, favorecendo apenas às instituições e seus patrocinadores. “A obsessão pedagógica, a necesidade de explicar cada obra, cada exposição gera a sobre-produção de textos que nada mais é do que uma encenação implícita de critériosuma negação àexperiência estética livre, uma sobre-intelectualização da obra para sobrevalorizá-la impedir que a sua percepção seja exercida comnaturalidade“.
A criação é livre, no entanto a contemplação não é. “Estamos diante da ditadura do mais medíocre”
fonte: Vanguardia
Assista o vídeo aqui.